#54 Escola sem partido

10 de agosto de 2016

Fala, cabraiada! Como é sabido, há um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional versando sobre a chamada “Escola Sem Partido”, que supostamente protegeria as crianças e adolescentes de um processo de doutrinação política e ideológica feito pelo professor. Com slogans como “professor não é educador”, com franca oposição à pedagogia freiriana e a uma educação crítica e plural, uma vez que se pauta na suposta “neutralidade ideológica”. A cabrueira mandou chamar os professores Cacau Marques (2 em 1/No Barquinho/Fora do Éden) e Vinícius Lúcio para lançar luzes sobre o tema. Não fique de fora desse papo arretado!

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Créditos

A edição ficou por conta de Heder JudsonIvandro Menezes.
A vitrine deste episódio é de Rafa Souza.
Vinhetas criadas por Ariel Jaeger.
O tema de abertura é a música Cangaço da banda paraibana Cabruêra.

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18 comments on “#54 Escola sem partido

  1. Cast providencial! Estava meio perdido em meio a vários textões e memes de facebook. Foi muito esclarecedor, obrigado Cabras!!
    Abraço do Vitão!

  2. Ainda bem que eu escuto vocês, porque eu nem estava sabendo sobre esses esquemas ai hahahaha To mais preocupado com casamento, ministérios, PADD, trabalho, projetos e Pokemon Go hahaahaha Mas deu pra entender e dar uma atualizada 😉

    Abraço
    EddieTheDrummer (PADD)

    • Fala, Mr. Thedrummer! Só em ler teu comentário eu já cansei, quanta coisa! Ufa! Mas fico super feliz em saber que conseguimos te atualizar sobre o tema! Obrigado pelo comentário segue bem-vindo! Abraço grande!

  3. Eduardo Urias ago 17, 2016

    Fala cabraiada! Voltei depois de um tempo longe dos teclados do PC. É correria demais! rsrsrs
    Poxa! Esse episódio tá muito arretado! Esclareceu muito sobre o assunto. Interessante que a princípio, essa proposta pareceu boa, mas quando paramos pra refletir, começamos a ver algumas falhas que dificulta e muito a viabilidade do projeto. Falhas essas muito bem abordadas aqui.
    Essa analogia que fizeram com o regime militar, resumiu bem a ideia!
    E foi bem lembrado que o principal formador de opinião da massa, não é o professor, mas a mídia.
    Quando falamos de sistema de ensino, os professores ainda estão muito amarrados. Se já estão tirando a autonomia do professor retirar o aluno alterador da sala de aula, ou reprovar o que não atinge o índice mínimo da instituição, imagina com mais essa amarra?
    Porém apoio uma reforma no sistema de ensino, principalmente na educação de base. E também deveríamos lutar para que melhores condições de trabalhos para os professores.
    Um abraço a todos!

  4. Daiana ago 23, 2016

    Olha eu esperava mais, comentários muito superficiais e falácias.
    Primeiro de tudo, não dá pra falar que o projeto vem da direita pois não existe partidos de direita consolidados no Brasil, o projeto surgiu do anseio de pais esclarecidos que concordam que o aluno tem que aprender matemática, português, ciências, história(de forma não distorcida) e não ser ensinado de acordo com a ideologia do professor, seja ela qual for. Não foi assim no caso do ensino religioso? até hoje não temos, pelo consenso de que influenciaria filhos de pessoas que não concordam com tal religião ou até mesmo não possuem uma.

    Não existe esta conversa de que o professor seria cerceado, ele pode ter suas convicções pessoais, o que não pode é pregar como verdade o que ele pensa, como por exemplo a ideologia de gênero, muitos professores, e até o próprio MEC , mesmo depois de votações (influenciadas por vontade popular) que proíbem esse tipo de menção, ainda insistem e ameaçam ensinar as crianças de acordo com o que eles querem, e muitos são favoráveis à essa ideologia totalmente ridícula.

    Equívoco atrás de equívoco, cerceados hoje estão os professores que se recusam à ensinar gênero nas escolas, como é o caso da professora Paula Marisa (é só procurar no youtube), entre outros casos, de professor dar nota 0 pra aluno que faz redação descordando do que o professor quer.

    Espero que se aprofundem mais sobre o assunto, não só os podcasters quanto as pessoas que ouviram, é bem frustrante ver os outros assuntos abordados nos outros podcast e perceber que estão se deixando levar pela novalingua da elite global.

    • jordan Arley nov 8, 2016

      Daiana,
      Achei a mesma coisa de seu comentário. Fico meio reticente a mandar minhas impressões sobre determinadas falas e convidados que mais parecem uma reunião de mais do mesmo. Falo isso, porque tem gente que é contra mas mostra base mais aprofundada e gente que é a favor e mostra também base aprofundada, e daí gera um bom debate. Me pareceu mais uma reunião de discordantes apenas.

      • Fala, Arley! Pode sempre discordar, cabra! Apontar as divergências em relação a qualquer uma de nossas falas. A ideia é que o episódio continue sempre neste espaço! Abração!

  5. Victor Paiva ago 26, 2016

    Vou dar minha contribuição, que talvez tenha sido esquecido no balaio. O filme alemão “A Onda”. Sobre um professor que desenvolve uma ideologia nazista meio que sem querer na escola e isso toma quase a cidade toda. Recomendo muito a assistida.

    PS: acho que tem no netflix!

  6. Lourival Gonçalves ago 27, 2016

    Atualmente estou estudando sobre Teorias do currículo e um das interpretações é conhecida como Teoria tradicional. Essa interpretação curricular traz certa neutralidade. Um dos seus representantes, o principal na verdade, se chama Franklin John Bobbitt. Ele escreveu sobre currículo em uma época onde as forças políticas, econômicas e culturais procuravam envolver a educação de massas para garantir que sua ideologia fosse consolidada. Sua proposta era que a escola funcionasse como uma empresa comercial ou industrial no modelo tradicional educacional que permite única e exclusivamente para finalidade dos recursos utilizados, como a memorização por exemplo. Penso que é impossível o professorado não colocar sua impressões sobre os assuntos trabalhos, mas isso não significa persuadir aos alunos. Deixo dicas aqui sobre o tema: http://www.programaescolasempartido.org/ http://www.escolasempartido.org/ Parabéns pelo podcast.

  7. jordan Arley nov 8, 2016

    Fala galera. Ouvi o podcast e me parece que falaram genericamente do projeto de lei, não citando ele mesmo na integra. Realmente, ouvi diversas falácias sobre a lei, o debate, e o cenário atual de ocupação de escolas que mostra sem sombra de dúvida a doutrinação de viés esquerdista. Onde alunos influenciados por professores, sindicalistas, Une, Ubes e outros grupos de inclinação à esquerda invadem, quebram, usam drogas e outras coisas dentro dos colégios. Obrigando a maioria dos alunos que desejam estudar obrigados a deixar de exercer o direito de estudar, os pais de entrar na escola, e a fazer até mesmo o ENEM. Toda essa baderna com a desculpa de ser contra a PEC 241. Mas que na prática pode ser ver por diverso videos que tem viés politico. Entendo que falar sem conhecimento do projeto é ruim. Tenho ele aqui impresso e li e vejo que o mesmo defende a pluralidade de idéias e obriga aqueles que desejam catequizar com apenas uma visão, se veja obrigado a dar os dois pontos, não com isenção de opinião – porque neutralidade não existe! Mas com a possibilidade do aluno ouvir a exposição dos vários pontos de vista.

    Já na questão da influência do marxismo, socialismo e modernismo na sociedade é claro também. Me desculpem a sinceridade – vejo isso no podcast de vocês também! Isso já percebo a um tempinho na cosmovisão de alguns dos participantes de seu podcast, que misturam a matriz de análise marxista com o evangelho. Sei que posso ser interpretado de maneira errada pela minha afirmação, mas ta valendo, porque espero que ao menos tentem me entender. Em alguns programas que gravaram, isso é claro, até pelo tema abordado e a condução não do debate, mas dá opinião comum de todos os convidados. Se querem debater sobre o projeto de lei, debatam sobre o que esta escrito no mesmo. Tragam pessoas a favor, contra, analisem o cenário como um todo. Entrem em contato com os autores, se possível tragam o mesmo.

    Não achei o programa um debate, e sim uma reunião de opiniões contrarias apenas. Entendo que como todo o projeto precisa de melhorias. Mas, ouvir o que ouvi, não passa de uma reunião de opiniões de pessoas quem tem em sua cosmovisão o viés marxista na sua analise do mundo (falo isso porque dá essa impressão!). Tenho acompanhado o debate sobre essa questão em diversos aspectos, tais como: a questão bibliográfica de livros de pensamento contrario à esquerda, a questão pedagógica do sócio construtivismo e o método pedagógico de Paulo Freire que tem a proposta de criar pequenos revolucionários, e traz diversos problemas no bojo dessa proposta.

    Bom, acredito de verdade que muita gente não entende a gravidade de certos acontecimentos no Brasil. Mas, é só procurar que podemos ver esse problema vindo a tona.

    • Fala, cabra! Olha só, quando fazemos os convites não sabemos de antemão a posição do convidado. Se soou que somos contrários ao Projeto é porque eu (só poderia falar por mim!) ou os convidados apresentaram seus pontos de divergência.

      No que tange a tratar do mesmo artigo a artigo, fica complicado em razão do tempo e formato do episódio (buscamos fechar sempre em 1h10).

      Opinando a partir da minha formação (a saber, o Direito), encaro problemas no projeto não de ordem ideológica, mas de ordem constitucional, ao cercear o direito fundamental à liberdade de pensamento (no caso, de cátedra). E há ainda o implicador moral da demonização ou rotulação do professor como um inimigo progressista.

      Afirmar que o aluno sofre “doutrinação marxista” pode até ser uma afirmação aceitável, mas a cura para isso é uma “doutrinação liberal” ou “conservadora”?

      Num exemplo bem pessoal, quando minha filha estava no maternal tinha uma professora evangélica (da Assembleia de Deus) e ensinava as crianças da turma a orar, cantar hinos infantis típicos da igreja pentecostal. No ano seguinte, a professora era católica e começou a ensinar a minha filha (então com 4 anos) a rezar o Santo Anjo, a cantar canções a Maria (Mãezinha do céu eu não sei rezar…) etc. Não seria em ambos os casos uma forma de doutrinação? Aliás, qualquer meio de catequese não é doutrinar? Me incomodei no primeiro e no segundo ano de minha filha na escola, exatamente porque sempre acreditei que esse tipo de formação deveria ser uma responsabilidade doméstica/familiar.

      Se o intuito do projeto é um ensino ideologicamente neutro, ele tem um objeto impossível, pois nunca fomos ideologicamente neutros.

      Outro ponto interessante: Quais os dados dessa doutrinação marxista no ambiente escolar? Quem fez tais pesquisas? Quem divulgou tais números? Foram os mesmos que fizeram a pesquisa que pastores são todos ladrões ou evangélicos todos homofóbicos e intolerantes?

      O senso comum (ou conhecimento vulgar) não pode guiar leis ou políticas públicas nem em nosso país, nem em qualquer outro país.

      Um projeto que visa cercear a liberdade de manifestação de pensamento, pode amanhã cercear a liberdade de crença religiosa. Prefiro a pluralidade de pensamentos no ambiente escolar/universitário, bem diverso, por exemplo, do ambiente da minha universidade pública da graduação, onde predominavam professores de direita e liberais.

      Tenho vivido a experiência de ter alunos conservadores, marxistas, evangélicos, ateus, índios, negros, brancos, miscigenados etc. e de um bom relacionamento e debate em questões diversas, ora divergindo, ora concordando, ora mudando de opinião.

      Gosto de provocá-los e ressalto que mais importante que as opiniões são os argumentos (afinal, são todos estudantes de Direito e o argumento é nossa matéria-prima).

      Quando olho para este projeto, procuro olhar para além do imediatismo que muitos imprimem ao mesmo. É temerário e perigoso cercear direitos fundamentais, pois são a base de um Estado Democrático de Direito (garantidor das liberdades civis). E o projeto viola isso ao tentar criminalizar pessoas com um pensamento ideológico específico (o que chamam de “partido”) em detrimento (ou talvez – e só talvez – impondo) uma suposta “neutralidade” (que, em verdade, é apenas uma ideologia contrária).

      Amo dialogar com amigos de esquerda e direita, sempre cresço com essa diversidade e reforço a minha fé e convicções. No entanto, eu entendo também o quanto no nosso ambiente polarizado não há espaço para um cartela de cores mais diversas, para o trânsito entre pólos extremos e acabamos sempre enxergando apenas duas cores, dois extremos, um ou outro, numa lógica que me incomoda bem mais.

      No mais, o podcast é mais feito de inquietações, dúvidas, provocações que necessariamente de nossas opiniões (definitivas).

      Obrigado por divergir, apontar o que penso e me proporcionar no que pensar por alguns dias (ou semanas)! Gosto disso! Volte mais vezes!

      • jordan Arley nov 9, 2016

        Evandro,

        Desculpe se o tom foi meio chato, mas não foi por maldade não, é que as vezes deu essa impressão. Sei que tentaram abordar suas impressões dentro do limite do tempo que tinham para fazer sua analise.
        Quando escrevi realmente tive aquela impressão que relatei. Posso estar errado no que estava achando mesmo.
        Eu não entendo como inconstitucional a proposta, porque entendo que o professor tem direito a liberdade de pensamento e idéias pessoais a vontade. Mas, o que tem acontecido é que muitos deles realmente se valem de seu público cativo para como dizemos “doutrinar”. Só essa palavra mesmo cabe a essa situação. Moro no Rio de Janeiro e tem coisas acontecendo aqui em colégios que contando ninguém acreditaria. Por exemplo palestra de MST, MTST em colégios de 2º grau invadidos, comemoração da revolução chinesa de Mao Tsé-Tung dentro de colégios de 2º grau também e etc. Isso fomentado por professores na sua maior parte e outros funcionário ligados a educação e outras instituições ligadas a partidos políticos de ideologia marxista e pessoas que são de ditos grupos sociais ligados a esquerda.
        O projeto tem questões que são delicadas e que pensando de maneira mais abrangente podem até serem ruins para religiosos, que entendo até agem de bom coração. Digo isso pelo exemplo das orações que você menciona anteriormente. Isso pode gerar certos problemas, como acontece nos EUA e outros lugares. Creio que tem de haver mais debate, e sim, tem de haver também uma desPTização de certos setores no Brasil. Não pra colocar o meu, ou de outra pessoa, porque sei que neutralidade é um mito, inclusive nas ciências também! Mas o ensino não pode ser unilateral ou mesmo desonesto intelectualmente. Tem de se expor no minimo as principais vertentes de certos assuntos da mesma maneira. Isso que vejo que o projeto em seu núcleo duro deseja. Sei que o mais o puro dos desejos não impede de uma coisa criada a principio com boas intenções seja usada de maneira errada. Isso incluí esse projeto também! Mas então alternativas tem de ser pensadas e postas em prática para que exageros sejam impedidos de ambos os lados. Não sou partidário de ninguém e acredito na liberdades, tanto do professor quanto do aluno. Creio no professor como aquele que influência sim, isso é inevitável. Mas, ao menos ele tem de ser ético em mostras as várias perspectivas sobre o mesmo tema de maneira honesta. Creio que no fundo falta isso, mais honestidade.

        Abraço, e espero ter ajudado de alguma maneira. Continue o bom trabalho, e no que for possível divergir sem ser o chato, vou tentar, e no que concordar vou cantar em coro. Isso, respeitando o direito de vocês de pensar diferente de qualquer pessoa. Porque pensar diferente não nos torna inimigos, mas irmãos que tem pontos de vistas a penas diferentes de certas coisas.

        Que Deus continue abençoando a todos vocês e dando vida longa aos CABRACAST!!!

        • Cara, feliz demais em ler teus comentários! Gosto dessa divergência respeitosa. Estou contigo em vários pontos que mencionou, em especial, a da pluralidade de pensamento no ambiente escolar.

    • Cacau Marques nov 9, 2016

      Alguns pontos breves:

      1) quais foram as falácias q levantamos no programa?
      2) as ocupações atuais não aconteciam naquela época e nem as mencionamos no programa, Então não faz sentido evoca-las.
      3) nós lemos o projeto também. Presumir q não o conhecemos é um erro. Por isso volto ao ponto inicial: quais são as falácias?

      • jordan Arley nov 9, 2016

        Cacau,

        O que percebi que em diversas falas se dão no âmbito da discordância apenas. O professor é livre para expor sua matéria. Seja essa matéria matemática, física, história, e etc. Mas existem exemplos claros de excesso dessa chamada “liberdade de cátedra” . Creio que você sabe ao menos de alguns excessos, sendo que existem coisa absurdas acontecendo pelo Brasil inteiro. Seja no âmbito dos colégios e faculdades. As falas parecem não abordas esses casos. Pode ser somente a minha impressão, sei que ouvi o episódio tendo outro pano de fundo de análise, daí minha impressão.
        E por não abordar ao menos alguns artigos da mesma reforçou mais ainda essa minha impressão. Daí eu mencionar como falácia. Porque entendo que analisar o projeto e tentar entender o pano de fundo que gerou a mesma e o que ele tenta propor. Assim, esperava que os artigos fossem discutidos como estão escritos. Levando em consideração os diversos pontos.
        Esto ouvindo novamente porque se desejar que escreva na integra certas coisas que discordo de certas abordagens tentarei anotar e escrever depois.
        Acho que é necessário que alguma coisa seja feita para que em certos ambientes isso seja proibido. Falo isso porque tem gente que discordar de certas questões que estão sendo impostas por posturas de “pessoas de esquerda” autoritárias que estão prejudicando pessoas em geral. Pessoas essas que são professores que discordam do que tem acontecido dentro de seu ambiente de trabalho, alunos e pais de alunos. Que não concordam com os exageros de professores que realmente doutrinam. Falo porque sei de casos perto de mim, tanto de alunos, como de professores, em diversos aspectos.

        Não quis ser chato, mas, quero todos os aspectos sejam dados, de esquerda,de direita liberal etc. Entende? O que tem acontecido é uma especie de desonestidade intelectual.

        • Bom, cara, vc não disse quais foram as falácias e onde fomos injustos em apresentar o projeto. Ainda assim, vou falar um pouco sobre essa tentativa de intervenção da escola sem partido e sobre o cenário de suposta doutrinação que se apregoa por aí.

          O problema é que essa intervenção já é ideológica. Ela surge num contexto em que se pretende limitar a abordagem marxista da história. Sendo assim, ela assume um caráter anti-marxista que, se não está presente no texto da lei, está muito presente nas pautas dos políticos e dos movimentos sociais que a defendem. Ela parte do pressuposto de que há uma doutrinação marxista nas escolas. E ainda que haja um número considerável de professores que se declarem de esquerda nas escolas, nada no país indica que essa “doutrinação” sequer exista de fato. Nossa sociedade não é de esquerda. Ela ´pensa com uma cabeça capitalista, ela vê o mercado como um fato dado, ela deseja o consumo e o enriquecimento pessoal, ela se pauta por um ideal burguês. Então esse tempo de “doutrinação” não teve efeito prático. Isso é pq a doutrinação não existe. O que existe é alguns professores que são mais enviesados em sua abordagem.

          As ciências humanas em geral passam por escolas interpretativas. É natural que em alguns momentos as análises pendam mais para um lado. Não é na escola que esse debate se desenvolve. Ele já vem das universidades e expõe as principais correntes vigentes no período. Tentar interferir na escola é justamente colocar um muro entre o ensino básico e as pesquisas mais recentessobre todos os temas. O caminho entre a produção acadêmica e o ensino básico já é longo e esburacado hoje, o que dizer se uma lei dessa passar?

          E veja, a diversidade está garantida. Olha a quantidade de pensadores de direita vindo a público e lecionando em universidades. Citamos alguns dos mais destacados no programa. Olha a quantidade de grupos organizados por jovens que defendem ideias de direita. Essa histeria por causa da suposta doutrinação escolar é descabida. A consciência política do aluno recebe pouca influência da escola. Como eu disse no podcast, a maior influência é da mídia e quanto a isso não se pode interferir sob o pretexto de preservar a liberdade de imprensa. Se hoje o debate nas universidades já incluem pensadores de direita como Pondé e Vila, pode-se esperar um cenário diferente em alguns anos. É assim que a produção de conhecimento acontece. A única forma de manter isso é mantendo a liberdade de expressão, de pesquisa e de cátedra.

          Outra coisa, autorizar o governo a interferir no conteúdo da educação tão diretamente não é traço distintivo da democracia, MAS DAS DITADURAS! São as ditaduras que impõem limites para o ensino, que censuram conteúdos ou exigem que perspectivas sejam ressaltadas. Me assusta que exatamente a ala que pede menos Estado esteja entregando ao mesmo Estado essa autoridade sobre o ensino.

          Vc disse que conhece casos de doutrinação de esquerda perto de vc. Eu conheço vários, mas vários casos MESMO de “doutrinação” de todas as matizes bem próximas de mim. De esquerda, de direita, religiosa, ateísta. Oq fazer? Só podemos permitir que haja liberdade para a ação tanto do professor quanto do aluno. Alunos não são passivos quanto essa lei pretende. São curiosos, questionadores e inteligentes. Se o professor não permite essa curiosidade de aflorar, ele também não conseguirá cativar a turma. É assim que acontece. E cada fala do professor é questionada rapidamente pelos alunos. Me lembro bem de que meu professor assumidamente comunista no ensino médio vivia criticando os EUA. Cada vez que ele mencionava um interesse escuso dos americanos na política internacional eu imediatamente pensava: “Será? De onde ele está tirando isso?”.

          Vale também dizer que essa predominância de esquerda nas ciências humanas hoje é resposta à intervenção drástica do Regime Militar na educação e na expressão. As universidades foram o refúgio dos intelectuais de esquerda e quando a ditadura terminou, muitos dos intelectuais mais à direita que apoiavam os militares passaram a ser ignorados pelo público. Hoje a situação já se apresenta mais favorável para essa maior diversidade, como já disse acima. Uma intervenção dessa magnitude agora pode reverter décadas de debate democrático livre.

          Bom, desculpa esse texto um pouco caótico, fui escrevendo conforme me lembrava das coisas. Só repense essa sua defesa desse projeto. Ele é, na melhor das hipóteses, inútil. Na pior das hipóteses, desastroso.

          Abraço.

          • jordan Arley nov 21, 2016

            Bom, Cacau

            Não quis entrar na questão das coisas que chamei de “falácias”, porque acredito serem opiniões de todos vocês. E como opiniões eu as respeito, mesmo discordando frontalmente!
            Diante disso, não quis entrar num debate contra produtivo que poderia soar apenas como “hater de internet”.
            Tentei colocar meu ponto de vista com relação a doutrinação, seja ela, de direita, liberal, ou esquerdista em sala de aula. O professor não é contratado para “catequizar ninguém a sua fé”. Porque no fim, cosmovisão é isso, é fé, princípios fundamentais do coração.
            Sendo assim, professor de matemática, ensina matemática, geografia ensina geografia, filosofia ensina filosofia. Isso respeitando sua grade de matéria. Mas, o que vemos é outra coisa! Você mencionou que conhece casos de doutrinação, e eu conheço casos aqui no Rio de Janeiro que beiram o absurdo, indo além da simples doutrinação. Coisas absurdas, que uma pesquisa de internet, youtube revelam.
            O que você mencionou sobre a universidade ser o “refugio da esquerda”, Antonio Gramsci define como revolução cultural. Essa tentativa de modificar a sociedade através dos meios culturais, principalmente via educação! Tomando os espaços,buscando a hegemonia, onde os “ungidos” buscam moldar a realidade a sua visão de mundo guiada por sua doutrina revolucionaria.
            Eu até entendo sua preocupação com relação ao cerceamento da liberdade. Porque eu também não desejo isso para ninguém. Mas, a situação como está não pode permanecer. Você comentou sobre figuras “mais à direita” que apareceram dando a cara a tapa. Porque a hegemonia, volto a dizer era da esquerda. Porque monopolizaram o debate e a pecha de serem a favor do povo e arautos da virtude.
            Tínhamos uma total falta de literatura de pensadores conservadores e liberais conservadores no Brasil, como também de cursos sobre os mesmo ainda. Isso, só para citar um exemplo entre tantos outro que poderia escrever aqui. E aqueles que se levantam para debater tem quase suas reputações assassinadas. Seja na acadêmia, nas redes sociais, ou mesmo na vida privada. Em contra partida em universidade dominadas pelo pensamento esquerdista temos cursos absurdos, que mostram o “puxadinho” de partidos políticos que até pouco tempo atrás dominavam o país. E introduziam sua agenda de transformação social, não respeitando pátrio poder, tratados internacionais, leis brasileiras, e nem mesmo a opinião contrário de eleitores.
            Realmente, eu acredito na liberdade de expressão, mas vejo em muitos casos a doutrinação e uso do espaço da cátedra para exercer isso. Usando da desculpa de liberdade de expressão para se valer da impunidade.
            Os episódios de invasão de escolas e faculdades prova isso claramente. A quantidade de “idiotas úteis” a causas que desconhecem totalmente. Uma falsa liberdade democrática que esta sendo usada para impedir outros de estudar, trabalhar, fazer seus concursos. utilizando o espaço público que tem um fim especifico, para tudo menos estudar. e que gerou de tudo até assassinato.
            Sei que você é contrario a isso, e que o cast saiu antes de certos acontecimentos. Mas, acredito que falta honestidade no debate. Porque existe objetivos muito mais escusos e nefastos por parte de certos grupos do que aparentam. E que no pouco que estiveram em evidência a frente da nação, já nós mostraram a que vieram!
            Volto a afirmar, professor é livre, tem de ter direito a liberdade de consciência, liberdade de cátedra. Mas, não liberdade de ensinar o que bem quiser a audiência ali cativa. existem currículos a serem respeitados por parte desse trabalhador. Temos que promover a liberdade, liberdade de todos, inibir o excesso de alguns, o abuso de outros, a perseguição em todas as situações. A lei tem de ser pra todos, e entendo que muitos que se prevalecem dessa lacuna estão vendo que serão enquadrados nessa lei, e por isso já começaram a tentar impedir o projeto de ir a votação.
            O debate tem de ser feito, a sociedade tem de participar, quem tem sido prejudicado tem de ser ouvido, e quem promove os abusos tem de ser identificado e devidamente punido.
            Liberdade de cátedra, liberdade de pensamento, não é liberdade de fazer da sala de aula palanque político ou ideológico de ninguém. Ao menos eu penso assim.
            Agora, a questão da migração do pensadores “ungidos” para dentro da universidade e outros assuntos relacionados. É um debate mais extenso e que por aqui fica complicado.

            Cacau espero ter esclarecido minha fala anterior. Se não, pode falar que tento responder.

            Abraço.

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