Educação: do romantismo para o realismo

29 de janeiro de 2015

A visão romântica da postura do professor na educação pública foi um embate que tive desde a graduação e até hoje tenho nos cursos de capacitação da educação à distância com alguns professores. Já escutei discursos como: “o professor é responsável por gerar motivação no aluno”, “o professor deve amar cada um dos seus alunos e expressar esse amor para que eles se sintam felizes e interessados” e sei que isso é humanamente impossível, não temos controle e nem poder para “gerar” nada em ninguém.

Vejo que há uma série de erros que são muito anteriores à prática do professor, mas que se refletem diretamente nela. A impressão que tenho é que, muitas vezes, querem colocar nas costas do professor a responsabilidade “dar um jeito” na hora, na sala de aula, nas consequências de uma desorganização que vem da direção, das secretarias de educação, das leis de diretrizes e bases, do ministério da educação e etc. Acabo sendo um tanto irredutível quando digo que não admito e me recuso a carregar esse peso, porque não posso dar conta e nem fui formada para isso.

Acredito que é por esse motivo que muitos professores acabam optando por não quererem dedicar a vida à educação básica. Acho importantíssimo vivenciar esse ambiente, até para poder discutir o assunto com propriedade, porém não dá para permitir ser sobrecarregado por responsabilidades que não são suas e que no mundo real não há como assumi-las de fato.

O Estado tem dinheiro para muitas coisas, mas não quer investir, por exemplo, na contratação de assistentes sociais e psicólogos em número suficiente que possam trabalhar em conjunto com a equipe pedagógica na formação dos alunos. Escola não é um depósito de pessoas, mas é ambiente de formação de cidadãos, nesse sentido, é necessário um trabalho em equipe de vários profissionais formados e habilitados para tratar de assuntos que fogem do âmbito pedagógico, mas que são igualmente essenciais para a instrução desses indivíduos.

Eu não me sinto nem um pouco culpada por pensar assim, porque eu não sou obrigada e não vou me submeter a isso.

Me perdoe o movimento Romântico, mas nesse aspecto na minha vida só há espaço para o Realismo.

 

*A autora do texto atende pelo nome de Mábia Nunes Toscano.

*A imagem na capa é de autoria de Cássio Yoshiyaki disponível aqui.

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