Feliz 9 de julho!

9 de julho de 2014

Durante todos estes anos, eu ouvi pessoas me chamarem de várias coisas como: viado, homofóbico, falso, demente, filhinho de papai, covarde, mentiroso, estranho, arrogante, pedante, “murista”, “filhinho da mamãe que nunca brigou na rua”, desprezível etc. Mas também ouvi pessoas que me chamam amigo, pai, amor, “amori”, bom, legal, sensível, “dramático”, querido, mestre, professor, pastor, conselheiro, “o ‘painho’ dos podcasts”, tio, irmão.

Se é certo que alguns me odeiam é igualmente certo que outros me amam. Todas essas pessoas passaram, passam ou estão na minha vida. E a única certeza palpável é a de que o mundo continua em movimento e, por conseguinte, as pessoas continuam indo e vindo, falando e calando, ferindo e curando, construindo e destruindo. Com algumas construí conexões mais fortes, intensas e duráveis; com outras, preferi manter o abismo; porém, todas “resignificam” a nossa vida.

A minha vida é de chegadas e partidas. É do pertencimento em um momento e do estranhamento noutro momento. E nesse vai-e-vem de pessoas, percebo que algumas viraram lembrança, outras saudades. Algumas guardei com um bom sorriso na lembrança, outras com o lacrimejar nos olhos de uma saudade. Em ambos os casos, é certo que amei.

O remorso, a amargura, o arrependimento em se ter amado não cabem no amor. Como afirma o apóstolo Paulo, o amor nunca perece (1Co 13:8), ou seja, não tem prazo de validade. O amor não guarda rancores, não cobra o preço de se doar, de se sacrificar. Entretanto, não se ama sem correr riscos. Aliás, não é amor se não se aceitar os riscos. O amor não precisa fazer sentido, porque ele é o sentido. O amor não precisa de razões, porque ele é a razão. Mas só se ama vivendo. Só se ama se permitindo e decidindo amar.

Aos 34 anos de vida, percebo que o meu fardo é leve, pois me permiti ser amado e amar os que me chamaram de viado, homofóbico, falso, demente, filhinho de papai, covarde, mentiroso, estranho, arrogante, pedante, “murista”, “filhinho da mamãe que nunca brigou na rua”, desprezível, dentre tantos outros deliciosos xingamentos. Também me permiti ser amado e amar por aqueles que me chamam amigo, pai, amor, “amori”, bom, legal, sensível, “dramático”, querido, mestre, professor, pastor, conselheiro, “o ‘painho’ dos podcasts”, tio, irmão.

Se no dia de hoje, eu for digno de sua lembrança, quero que me deixe um único presente: ame! Não se engasgue com as palavras que deseja dizer a alguém. Não se trave no abraço que espera dar. Não se proíba de viver e se permitir viver o amor genuíno, não aquele que ferve dentro das calças, mas o belo e inocente, o constante e esquecido nas relações cotidianos. Ame na gentileza para com o outro, no respeito ao outro – mesmo aos idiotas!

Devote-se ao amor! Revolte-se por esta causa! Revolucione o mundo que o cerca, tornando-o necessariamente um lugar para o amor.

Belém de São Francisco (PE), 09 de julho de 2014.

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